Viradouro lança enredo para o Carnaval 2023.

Por Raphaella Loureyro 

 

  A Unidos do Viradouro causou em anunciar seu enredo nesta sexta-feira (13). A Vermelha e branca de Niterói contará na Sapucaí a história de Rosa Maria Egipciaca, chamada também de Rosa Courana, considerada nacionalmente como a primeira mulher negra a escrever um livro no país.

 Através de suas redes sociais, a agremiação enfatizou palavras como escravizada, meretriz, feiticeira, beata e escritora para dar uma percepção do que virá em 2023 e finalizou com a expressão “Uma Santa africana no Brasil”, garantindo mostrar que toda flor tem seus espinhos e prometendo emocionar os apaixonados por carnaval.

 

Quem foi Rosa Courana?

  Nascida na Costa de Ajudá, no atual Benim, de nação courana, veio para o Brasil, aos 6 anos, após ser capturada pelo tráfico negreiro, e desembarcou no Rio em 1733. Foi levada para Minas Gerais, onde viveu como meretriz por 15 anos.

  Aos 30 anos, começou a ter visões místicas, o que levou à condição de “beata”, e começou a ser perseguida pela igreja católica, que achava que ela estava possuída. Foi considerada feiticeira, herege, foi presa e levada pela Inquisição para Lisboa, onde morreu de causas naturais em 12 de outubro de 1771.

  Rosa foi autora de Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas, o mais antigo livro escrito por uma mulher negra na história do Brasil.

  Sua vida também inspirou a produção dos livros Rosa Egipcíaca: uma santa africana no Brasil, uma biografia de 750 páginas escrita por Luiz Mott, e Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz: A incrível trajetória de uma princesa negra entre a prostituição e a santidade, um romance de ficção escrito por Heloisa Maranhão. A biografia também foi citada para produção de trabalhos acadêmicos.

 Segundo o pesquisador Luiz Mott, Rosa se tornou a personagem negra do século XVIII de maior volume documental disponível. Para o antropólogo, Rosa Egipcíaca “é certamente a mulher negra africana do século XVIII, tanto em África como na diáspora afro-americana e no Brasil, sobre quem se dispõe mais detalhes documentais sobre sua vida, sonhos, escritos e paixão”.

  Já para a pesquisadora Rosely Santos Guimarães, Rosa Egipcíaca “aprendeu a ler e a escrever na língua do dominador e teve a coragem de se colocar como o sujeito de um discurso que busca mudanças na cultura vigente”.

   Do ponto de vista histórico, John Russell-Wood, historiador, avalia que “Rosa Egipcíaca abre uma janela para a história das mentalidades de uma sociedade escravocrata e também dá identidade e individualidade a uma mulher africana, escrava e depois livre, no mar de anonimidade conferido aos escravos e aos indivíduos de ascendência africana livres no Brasil”.

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