Cristo Negro, Estácio de Sá traz a história de devoção do povo panamenho

Terceira escola a pisar na Passarela do Samba, a vermelha e branca terá como enredo: A fé que emerge das águas, que conta a história de devoção do povo panamenho ao Cristo Negro de Portobelo. A imagem do Cristo Negro foi encontrada no mar do Caribe entre os anos de 1800 e 1830. Todo ano, milhares de fiéis se mobilizam para visitar a Igreja de San Felipe, paróquia católica localizada em Portobelo (Panamá), onde se encontra o Cristo Negro.

Sinopse: 

Pai Nosso que emerge das águas
Santificado seja vosso nome: Nazareno
Venha a nós neste momento
E abençoada seja vossa chegada

Pai Nosso que emerge das águas
Resplandecente como o pássaro sagrado
Em teu altar a medalha de ouro ofertamos
Para que traga a nós as correntezas do Pacífico e do Atlântico
As águas, antes bravias, contigo se acalmaram
E o povo, colérico, enfim ficou curado

Pai Nosso que emerge das águas
Evoca a memória de uma terra que surgiu do fogo
Cessa a nuvem de pólvora que exalou do ouro
Limpa as lágrimas do rio que chora
E ergue o canal que une dois mundos

Pai Nosso que emerge das águas
Perdoai as ofensas daqueles que não o entendem
Daqueles que não compreendem que sua cor é negra
Um Cristo que carrega a cruz das três raças

Pai branco, Pai índio, Pai negro
Pai Nosso, seja kuna ou seja banto
Na colheita ou no palenque do guerreiro Bayano
Salve Obatalá Nosso Pai

Se Jesus Cristo tivesse morrido na cruz dos dias de hoje
Ele seria negro
Porque nosso Cristo é o Cristo Negro
Nosso Cristo é o que seu povo quer que ele seja

Por isso, Pai Nosso que emerge das águas
A memória de uma nação celebrai hoje
E fazei com que Ismael tire seu chapéu
Para uma gente que peregrina
Para uma gente que peleja
Uma gente que festeja
Uma gente que tem fé

Ouve, meu Pai, ao chamado em Portobelo
Onde os tambores de Congo se afinam
Os malandros se dobram
Os mascarados dançam
E as polleras bailam a melodia

Pai Nosso, bendito e misericordioso
Cristo de braços abertos sobre as águas
Aquele que comparte o fardo da nossa cruz diária
Ajuda-nos a mirar o passado com gratidão
Encarar o presente com valentia
E construir o futuro com esperança

Ó, Cristo Nazareno Negrón
Nesta noite te oferecemos flores em devoção
Que seja feita, aqui e aí, a tua vontade
Assim na Terra como no céu:
Glória e prosperidade ao Panamá
E alegria a nosso povo da Estácio de Sá

Amém.

Compositores: Alexandre Naval, Edson Marinho, Tinga, Jorge Xavier, Luiz Sapatinho, Cláudio, Álvaro Roberto, Alexandre Moraes, Hugo Bruno e Julio Alves

Intérprete: Serginho do Porto

A fé que embala a alma
Emerge das águas trazendo esperança              (bis)
O Cristo negro, salvador na cruz
Protetor da humanidade, caminho de luz

Bendito seja, sou o fruto do senhor
Santificado, nazareno do amor
Ó Pai, ó Virgem Maria
Abençoai seu peregrino em romaria
De joelhos no altar lhe oferto
Meu poderoso eu peço
Sua graça em comunhão
Procuro estar em sua companhia
Pra curar minhas feridas, confortar meu coração
No fogo reluz ave sagrada
Meu Deus de tantas moradas
Um fiel em devoção

Senhor, senhor, é divino, é encanto
O canal de amor pra unir dois oceanos            (bis)
Um panamenho, estaciano, um filho seu
À imagem e semelhança, sou eu

Pai nosso da negra tez
Sagrado rei dos reis
Obatalá, rege o palenque em procissão
Devotos clamam em oração
Pra vitória conquistar
Amém
Os tambores vão rufar pra louvar
E levar à minha Estácio de Sá
Sua glória alcançar

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